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Lição de casa: acompanhe com moderação

Raquel Zardetto

Lição de casa, tarefa, dever, cada um dá o nome que quiser à atividade que todo estudante tem que realizar e que, para muitos, é a primeira grande responsabilidade da vida.

Como acontece no ambiente doméstico, muitas vezes o momento da lição de casa pode gerar atritos entre pais e filhos. De um lado, pais cansados com a jornada dupla de trabalho; do outro, filhos loucos por terem seu tempo “roubado” pela “ingrata” labuta.

Lição de casa não é castigo e não pode ser vista dessa forma. “É importante fazer um esforço no sentido de organizar o tempo destinado à lição de casa. Crianças acostumadas desde cedo a cumprirem esse ritual diário, sendo valorizadas por o fazerem, recebendo atenção e encorajamento freqüente, logo encontram prazer no próprio trabalho e orgulho em exibir suas produções acadêmicas. E, é claro, aprenderão muito melhor”, garante Maria Irene Maluf, psicopedagoga presidente da ABPp – Associação Brasileira de Psicopedagogia.

O objetivo pedagógico da lição de casa é dar ao aluno a responsabilidade de realizar, de forma individual e num espaço próprio, trabalhos que requeiram pesquisa, provoquem questionamentos e estimulem o uso, em situações novas, de conceitos construídos em classe. Por meio da atividade é possível perceber dificuldades e conquistas no processo de aprendizagem. Nesse sentido, os pais sempre têm dúvidas se podem ou não ajudar seus filhos na tarefa.

“Para os alunos que estão alfabetizados, quando começam a compreender o código alfabético, não há nenhum problema no fato de os pais corrigirem”, observa Laura Alice Piteri, coordenadora pedagógica de uma escola paulistana. Para aqueles que estão em fase de alfabetização, determinados tipos de correção podem não fazer sentido ao aluno, explica a educadora. Para facilitar a vida dos pais, a escola elaborou um roteiro especial que orienta desde o local adequado para execução da lição de casa até o limite de colaboração dos pais.

Existe uma outra maneira de conceber a lição de casa, na qual a sistematização de conteúdos se dá em sala de aula e não em casa. Para tanto, a escola estabeleceu um horário especial, o TP (Trabalho Pessoal), em que o aluno conta com a presença do professor para tirar todas as suas dúvidas, prescindindo da lição de casa.

Para dar conta de tal “tarefa”, a escola trabalha em período integral duas vezes por semana, a partir da 2ª série do ensino fundamental. Não há estresse na hora da lição de casa, já que o aluno faz a “lição de casa” na escola.

Já para os mais velhos, a partir da 5ª série do ensino fundamental, existe uma outra preocupação, que é a de dar autonomia ao aluno. Toda lição é cobrada, mas o que importa é o aluno cumprir a responsabilidade de fazer a lição, mais do que fazê-la absolutamente correta. “Repetimos à exaustão aos nossos alunos que não existe problema no erro. Ele serve para construir o acerto e, acima de tudo, a escola precisa do erro”, pondera Flávio Cidade, coordenador pedagógico de um colégio da zona oeste de São Paulo.

 

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