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Dia da Água: sem motivos para festas
Não há motivos para festas neste 22 de março, Dia Internacional da Água. Apesar de toda a demagogia em torno do assunto, o mundo continua sem políticas globais para a racionalização do uso da água e as iniciativas existentes nesse sentido são pontuais e, em geral, temporárias.
“Até quando vamos deixar as campanhas de uso racional da água nas mãos das concessionárias? O negócio delas é vender água”, destaca Paulo Costa, consultor e especialista no tema. Infelizmente, as medidas visando à racionalização do consumo da água em nosso país são efêmeras e, portanto, eficazes apenas enquanto duram, em geral períodos relacionados a grandes secas, que exigem ação emergencial por parte das autoridades.
Assim, a sociedade não desenvolve políticas permanentes de racionalização. É preciso lembrar que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços estão inacessíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível no mundo, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país.
Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provoca desmatamento e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.
Faltará água
As principais regiões metropolitanas do país já sofrem problemas de falta de água. O Rio de Janeiro passa pela maior seca dos últimos 20 anos. Em São Paulo, o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato Yashimoto, afirmou em novembro do ano passado, em evento na capital, que a Região Metropolitana de São Paulo corre o risco de reiniciar o rodízio de fornecimento de água se não for ampliada a capacidade de produção.
“Temos que tratar a água com seriedade; não é mais possível seguir construindo reservatórios e desmatando matas nativas. É preciso se antecipar ao problema e um programa de uso racional da água é mais duradouro do que campanhas publicitárias ou programas eventuais”, diz Costa.
Lição de casa
Para o consultor, as prefeituras e os governos estaduais e federal deveriam dar o exemplo. “Se os prédios públicos, as escolas, os hospitais adotassem medidas racionalizadoras, seria - além de um belo exemplo para a sociedade - uma economia gigantesca no gasto da água”, diz Costa. Além disso, explica o consultor, com o dinheiro economizado, essas autarquias poderiam investir em campanhas de conscientização através de ações educativas junto à comunidade, em escolas, associações de bairro, órgãos públicos, entre outros, esclarecendo sobre as maneiras de evitar o desperdício, as formas de economizar e as fontes alternativas para a captação de água, bem como a diferenciação dos usos da mesma - para algumas atividades, por exemplo, não há necessidade de utilização de água tratada.
As ações deveriam começar nas escolas, fazendo parte talvez da disciplina de geografia, e se estender a todas as organizações da comunidade, como associações de moradores, condomínios e meios de comunicação locais, entre outros, preconiza o consultor.
Medidores individuais
Outra forma é a criação de uma lei que obrigue os novos edifícios a instalarem medidores individualizados. Na maior parte dos condomínios brasileiros a cobrança da conta de água é feita em conjunto, e não condômino por condômino. Isso significa que o custo é rateado por todos os moradores, e aqueles que gastam menos acabam pagando o mesmo que aqueles que gastam mais.
“Sabemos que o brasileiro gasta, em média, cinco vezes mais água do que o volume indicado como suficiente pela Organização Mundial da Saúde, que recomenda o consumo diário de 40 litros diários por pessoa, enquanto que no Brasil são consumidos 200 litros dia/pessoa. Somente com a medição individualizada é que as pessoas mudarão seus hábitos. Alguns exemplos bem-sucedidos também podem ser copiados. Veja os exemplos:
México - Em 1991, o governo mexicano criou o "reposition cost", substituindo 3,5 milhões de válvulas por vasos sanitários com caixa acoplada, de 6 litros de descarga, obtendo uma redução de consumo de 5 mil litros de água por segundo. "Reposition cost" era o preço que cada proprietário de edificação, dos mais variados usos, havia pago pela reposição das bacias, trocadas em locais autorizados para tanto.
Nova York - Conseguiu instalar mais de 1 milhão de bacias sanitárias economizadoras, entre 1994 e 1996. A prefeitura reembolsava as despesas dos moradores e empresários locais com a troca de bacias. A iniciativa poupou 216 milhões de litros de água por dia e o investimento se pagou em quatro meses.
Los Angeles - O governo da Califórnia ofereceu redução de impostos para toda a troca de bacias com consumo superior a 6 litros. Também utilizou uma intensiva campanha publicitária nos meios de comunicação, mostrando as vantagens e a economia provenientes da troca de bacias.
Japão - Lá foram mudadas as regras da construção civil e os condomínios, hotéis e hospitais passaram a ser construídos com sistemas particulares de reaproveitamento de águas servidas. Nos mesmos, a água sai pelo ralo do boxe ou da banheira, segue por canos independentes até um pequeno reservatório que abastece os vasos sanitários da edificação. Só então vira esgoto, que, em algumas cidades, é tratado e reutilizado em processos industriais.
Veja como coisas simples podem ajudá-lo a reduzir o consumo:
- Feche a torneira quando for escovar os dentes ou fazer a barba e economize até 1.000 litros de água por mês.
- Tente tomar banhos de 5 minutos e, se possível, feche a torneira enquanto se ensaboa. A cada minuto, mais 20 litros de água vão embora pelo ralo.
- Reduza o seu tempo de banho em 1 ou 2 minutos e você economizará até 540 litros de água por mês; se o seu chuveiro enche um vasilhame de 5 litros em menos de 15 segundos, troque o seu aparelho por um mais eficiente.
- Deixe os talheres e pratos de molho dentro da pia antes de lavar. E não deixe a torneira aberta enquanto os ensaboa. Você estará economizando 100 litros de água!
- Coloque para funcionar sua máquina de lavar louças ou roupas quando estiverem cheias. Você pode economizar 3.600 litros de água por mês.
- Use balde em vez de mangueira para lavar o carro.
- Jamais use água para varrer a calçada! Saber utilizá-la com moderação é uma questão de educação.
- Não regue as plantas nas horas quentes do dia. A água evapora antes mesmo de atingir as raízes.
- Esteja atento a vazamentos! Uma torneira pingando consome 46 litros de água por dia e, num mês, 1.380 litros! Canos furados e vazamentos em vasos sanitários também dão grandes prejuízos.
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