As novas (velhas) promessas do ano novo
Todo fim de ano é a mesma coisa; promessas, planos, ideais, objetivos. Talvez motivadas pelo espírito da passagem, as pessoas dizem que adotarão novas posturas, serão mais disciplinadas, empenhadas, farão regime, entrarão no curso de inglês, serão voluntárias, etc.
Por quê será que ao virar o ano as pessoas pensam em tudo aquilo que desejam que aconteça nos próximos 365 dias? Será que é apenas mais um ritual de fim de ano, como o de pular as sete ondinhas, comer romã na ceia e brindar com “champagne”?
O fato é que ao prometer mudanças, recorda-se daquelas promessas feitas no último dia 31 de dezembro e é comum observar que muitas delas não foram cumpridas.
Geralmente esse entusiasmo pela mudança dificilmente passa do carnaval e mais uma vez os objetivos são “banalizados” e perdem o sentido.
Ao invés de promessas não cumpridas, que tal aderir ao lema: “se prometeu cumpra; se não pode cumprir, não prometa”. Isso é uma maneira de também evitar frustrações consigo.
O mesmo acontece com o espírito de fraternidade e solidariedade que surge em cada um no período natalino. Será que não é hipocrisia ser prestativo, bonzinho e agradável somente no natal?
O que passamos para nossas crianças, filhos e alunos ao agirmos assim? O ideal é sermos gentis, solícitos, amáveis, fraternos, solidários o ano todo e também traçarmos metas, lutarmos pelos nossos objetivos e sonhos a cada dia que inicia.
Porque não precisamos esperar o ano novo; cada dia que inicia é novo. Que tal mudar agora ao invés de esperar para prometer na meia noite do dia 31 de dezembro.
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no
limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer
ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente".
(Carlos Drummond de Andrade)
|
|