Novembro

02 – Dia de Finados
05 – Dia da Cultura
14 –
Dia do Bandeirante

15 – Proclamação da República
19 – Dia da Bandeira Nacional
20 – Dia da Consciência Negra / Zumbi dos Palmares

02 - DIA DE FINADOS
 

O culto aos mortos é muito antigo e esteve presente em quase todas as religiões, principalmente nas mais antigas. Inicialmente era ligado aos cultos agrários e de fertilidade. Os mais antigos acreditavam que, como as sementes, os mortos eram enterrados com vistas à ressurreição.

Na Igreja Católica, o Dia de Finados surgiu como um vínculo suplementar entre vivos e mortos, que sempre estiveram presentes nas suas celebrações.
 
Desde o século I, os cristãos rezavam pelos falecidos e visitavam os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio.
 
No século V, a igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava, até que no século XI os Papas Silvestre II (1009), João XVIII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia por ano aos mortos.
 
No século XIII, esse dia anual por todos os mortos passou a ser comemorado no dia 2 de novembro, porque no dia 1º de novembro se realiza a festa de todos os santos, para celebrar todos os santos que morreram em estado de graça e não foram canonizados.
 
Com o passar do tempo, a comemoração ultrapassou seu aspecto exclusivamente religioso para revelar uma afeição emotiva, a saudade de quem perdeu um ente querido. Hoje, o Dia de Finados é um dos feriados mais universais; são cerca de mil anos de celebração pela fé na ressurreição.
 
As pessoas costumam celebrar os entes queridos mortos visitando os cemitérios, levando flores aos túmulos, rezando por eles e acendendo vela, o que significa que a luz do irmão não se apagou. Alguns preferem chamar a data de “Dia da Saudade”, retirando o peso do aspecto fúnebre e enfatizando as melhores lembranças daqueles que se foram.
 

14 - DIA DO BANDEIRANTE

No início da colonização do Brasil, homens valentes foram usados pelos portugueses com o objetivo de lutar com os índios e recuperar escravos fugitivos; esses homens foram chamados de “bandeirantes”. Saindo de São Paulo e São Vicente, eles dirigiam-se para o interior do Brasil, caminhando através de florestas e seguindo caminho por rios, como o rio Tietê, que foi um dos principais meios de acesso para chegarem ao interior de São Paulo. Essas explorações territoriais eram chamadas de “entradas ou bandeiras”, porque eles entravam pelas selvas e o primeiro do grupo levava uma bandeira, daí o nome de bandeirantes

 
No início, as expedições tinham como objetivo predominante capturar os índios para escravizá-los, mas, depois que a escravidão de índios deixou de ser usual, passaram a procurar por pedras e metais preciosos. Os bandeirantes também capturavam escravos fugitivos que se embrenhavam dentro de matas para formar quilombos; o Quilombo dos Palmares, por exemplo, foi destruído por um grupo de bandeirantes. Contudo, eles ficaram historicamente conhecidos como os responsáveis pela conquista de grande parte do território brasileiro.
 
Do século XVII em diante, o interesse dos portugueses passou a ser a procura por ouro e pedras preciosas. Os bandeirantes Fernão Dias Pais e seu genro Manuel Borba Gato se concentraram nas buscas desbravando Minas Gerais e fundando vários povoados. Depois, outros bandeirantes descobriram o ouro, entre outros metais preciosos. Uma importante expedição foi a de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, que encontrou ouro perto de Goiás. Para conseguir dos índios a revelação do exato local onde se achava o ouro, Bartolomeu Bueno ateou fogo a um pouco de álcool que transportava num recipiente, ameaçando-os de fazer o mesmo com os rios e fontes, caso se negassem a revelar o caminho do ouro. Os índios, atemorizados, atenderam e o apelidaram de Anhanguera, que significa, em tupi, “diabo velho” ou “espírito mau”. Muitos aventureiros o seguiram e permaneceram em Goiás e Mato Grosso, dando início à formação das primeiras cidades. 
 
Outros bandeirantes que se destacaram nesse período foram: Antonio Pedroso, Alvarenga, Jerônimo Leitão (primeira bandeira conhecida), Nicolau Barreto (seguiu trajeto pelos rios Tietê e Paraná e regressou com índios capturados), Antônio Raposo Tavares (atacou missões jesuítas espanholas para capturar índios) e Francisco Bueno (missões no Sul até o Uruguai).
 
Hoje em dia, os mais famosos bandeirantes são honrados com monumentos e nomes de vias públicas. Mas, se por um lado admiramos o heroísmo desses homens, por outro, lamentamos a cruel atuação de alguns deles na destruição das missões jesuíticas e na captura dos índios. Nos tempos atuais, o bandeirantismo é o movimento de uma associação organizada que se encontra em quase todos os estados brasileiros e regulamentada pela Federação dos Bandeirantes do Brasil.
  
15 - DIA DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
 
Movimentos sociais e revoltas já indicavam a falência do regime monárquico. A Inconfidência Mineira (1789), a Conjuração Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817) já carregavam o gérmen do sistema republicano de governo.
 
No dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República no Brasil. O sistema monárquico do governo, sob o comando do ministro Visconde de Ouro Preto, já não tinha o apoio da Igreja, nem dos militares, das lideranças civis e nem dos antigos senhores de escravos.
 
Por essa razão, a Proclamação da República foi pacífica, sem guerra nem derramamento de sangue. Montado em seu cavalo, o marechal Deodoro desfilou uma longa lista de queixas, pessoais e corporativas, contra o governo do Visconde de Ouro Preto e não contra o Imperador D. Pedro II. Naquela mesma hora, o Visconde foi preso e o gabinete derrubado. Na saída, o marechal Deodoro, à frente da tropa, obedeceu ao cerimonial militar de saudação ao Chefe de Estado: com o quepe erguido pela mão direita acima da cabeça, deu um “viva ao Imperador”.
 
Estabeleceu-se um governo provisório chefiado pelo próprio marechal. Esse governo comunicou a D. Pedro II que havia sido proclamada a República e que a Família Real deveria deixar o Brasil. O major Sólon Ribeiro foi encarregado de entregar a mensagem ao Imperador, que, no dia 17 de novembro, a bordo do navio “Alagoas”, partiu para a Europa com sua família.
 
O Brasil passou a ser uma República, com uma nova Constituição e uma nova bandeira.
 
 
19 - DIA DA BANDEIRA NACIONAL
 
A bandeira do Brasil foi instituída quatro dias após a Proclamação da República, que foi no dia 15 de novembro de 1889. A bandeira do Brasil tem as cores ligadas aos símbolos nacionais.
 
  • Verde: significa nossas matas e também traz à lembrança o primeiro objeto que funcionou como bandeira, os ramos arrancados das árvores pelos homens primitivos em atitude de alegria.
  • Amarelo: representa a riqueza mineral e a aventura dos bandeirantes à procura de ouro. Numa interpretação mais poética, faz com que imaginemos o sol que brilha em nosso céu, astro que garante as condições da sobrevivência humana.
  • Azul: significa o nosso céu e também é uma homenagem a Nossa Senhora, padroeira de Portugal e do Brasil.
  • Branco: significa a paz, incluindo os brasileiros aos povos que enxergam Deus como plenitude do ser e do poder, assim como o branco é a plenitude das cores.
 
Além de todas essas cores, a bandeira brasileira tem 27 estrelas que representam as 26 unidades federativas brasileiras e o Distrito Federal; as estrelas correspondem ao aspecto do céu, na cidade do Rio de Janeiro, às 20 horas e 30 minutos do dia 15 de novembro de 1889, e deve ser considerada como vista por um observador situado fora da esfera celeste.
 
A faixa branca que corta a bandeira nacional significa o Equador terrestre, por isso apenas uma estrela colocada acima no hemisfério norte, que representa a estrela “Spica”; ela representa o Estado do Pará, que tem boa parte do seu território localizada acima da linha do Equador, isso porque Roraima e Amapá não eram estados na época. Na faixa branca estão escritas as palavras “Ordem e Progresso”. Isso significa decisão e visão clara dos problemas da pátria e também meta de ascensão para os homens de valor.
 
O projeto da bandeira foi aprovado e entregue para sua execução ao pintor Décio Vilares. Ao astrônomo Manuel Pereira dos Reis coube a localização das estrelas.
 
A bandeira do Brasil fica permanentemente hasteada na Praça dos Três Poderes, em Brasília; ela só é arriada quando uma nova é hasteada. As bandeiras brasileiras em mau estado de conservação devem ser entregues em uma unidade militar para serem incineradas no dia 19 de novembro. As bandeiras de outros países só podem ser hasteadas no Brasil se ao lado estiver a Bandeira Nacional, do mesmo tamanho e ao lado direito; a única exceção é para embaixadas e consulados.
 
 
20 - DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA
 
 
O “Dia nacional da consciência negra” foi instituído no Brasil pela Lei nº. 10639, de 9 de janeiro de 2003, a ser celebrado todo ano no dia 20 de novembro, em homenagem a Zumbi dos Palmares (morto em 20 de novembro de 1695), chefe das forças armadas dos Palmares, possuidor de grande capacidade de liderança e que se tornou o baluarte na luta dos negros contra o preconceito e o racismo.
 
A trajetória do rei dos Palmares se mistura à própria história da escravidão negra na América. Submetidos ao duro trabalho nos engenhos de açúcar e em outras atividades, muitos escravos fugiam e formavam sociedades paralelas, os quilombos ou mocambos, inspirados na organização das sociedades africanas. O quilombo dos Palmares teve início em 1597, com a fuga de quarenta negros de um engenho de Porto Calvo, sul da capitania de Pernambuco, e foi o maior e mais duradouro quilombo brasileiro.
 
Longe das fazendas e da ira de seus senhores, os escravos fundaram o quilombo na Serra da Barriga, local de terras férteis, água em abundância e com uma visão privilegiada de toda a área próxima. Ali a população a cada dia aumentava mais, chegou a cerca de 30 mil negros. Os escravos fizeram de Palmares a “Terra da Promissão”, o “Estado Livre”. O nome de quilombo dos Palmares era uma referência às palmeiras da região.
 
Em 1655, nasceu Zumbi num dos mocambos do quilombo dos Palmares, porém cresceu distante dele. Com poucos meses de vida, Zumbi foi capturado por uma expedição militar e doado ao padre Antônio de Melo, do distrito de Porto Calvo. O padre batizou o menino com o nome de Francisco e o criou, o ensinando a ler e escrever.
 
O padre tinha grande admiração pelo negrinho e se refere a ele em uma carta como “o dono de um engenho jamais imaginado na sua raça e que bem poucas vezes encontrara em brancos”. Apesar de todas as regalias, incomuns aos negros daquela época, por volta de 1670, aos 15 anos de idade, ele decidiu voltar, com alguns escravos fugitivos, para sua terra natal. No quilombo dos Palmares, Francisco assumiu o nome de Zumbi.
 
Em 1675, na luta contra os soldados portugueses, comandados pelo sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar, ao lado de Ganga Zumba, chefe do quilombo.
 
Depois de sérias perdas suportadas pelos palmarinos, Pedro de Almeida, governador da capitania de Pernambuco, propôs ao chefe Ganga Zumba a paz e a alforria para todos os escravos refugiados em quilombos. Zumbi foi contra, pois não admitia que uns negros fossem libertos enquanto outros continuavam escravos.
 
Em 1694, Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello, apoiados pela artilharia, comandaram o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares. Zumbi levou dois tiros e caiu num desfiladeiro. Por ter desaparecido durante algum tempo, foi criada a lenda do herói Zumbi que se suicidou para esquivar-se da reescravização.
 
Em 1695, Zumbi voltou a Pernambuco para reiniciar o combate, provando que estava vivo. Em 20 de novembro Zumbi foi morto, traído pelo amigo e comandado Antônio Soares, que, em troca de sua liberdade, revelou o esconderijo do grande líder. Zumbi foi degolado e teve sua cabeça transportada para Recife, onde ficou pendurada em local público até a sua completa decomposição.
 
A história de Zumbi é um rico episódio da luta contra o racismo e a escravatura. Zumbi sonhava com uma sociedade igualitária, por isso seu pensamento deve permanecer dentro de cada um de nós.