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Oportunizando a prática educativa
* Bruna Renata Cantele
 
A prática educativa possui as mais variadas situações, surpreendendo diariamente educadores e educandos. A postura diante de tantas surpresas, êxitos e dificuldades pode ser a estagnação – quando cessa a busca pelo conhecimento – ou a evolução, que traz consigo a criatividade e a aventura das descobertas.

Foi demonstrado pelos pedagogos que a aprendizagem não se dá pelo acúmulo de informações, mas por um processo de constante reelaboração do corpo de noções ou informações, que o educando assimilou. Nessa reelaboração, os conhecimentos ganham novos significados e novas dimensões. Noções e dados novos alteram qualitativamente o conhecimento anterior do aluno. Dessa forma, a aprendizagem se dá pelo esforço em integrar as novidades ao seu universo de conhecimentos anteriores.

Um mesmo conceito pode ser compreendido em vários níveis de complexidade e de abstração.
Acredita-se que o ensino e a aprendizagem escolar devem ser um processo acumulativo de experiências educativas, que se relacionam entre si, segundo uma hierarquia de aprendizagem previamente requerida para uma outra, de ordem superior.

Assim sendo, as aprendizagens que assentam no domínio de outras pré-requeridas devem ser organizadas com base na identificação dos pré-requisitos de cada uma delas, integrando-se eficazmente umas nas outras. Deste modo se pode evitar a fragmentação e a incoerência das aprendizagens que se propõem.

Reflexões Pedagógicas

A aprendizagem de fatos ou conhecimentos específicos, quando feita sem ser integrada em idéias fundamentais ou princípios organizadores, não se transfere com facilidade para novas situações e não permanece durante muito tempo. A transferência e a aplicabilidade da aprendizagem a novas situações aumentam à medida que se promove a aquisição e a compreensão de idéias e princípios gerais, em que fatos e exemplos particulares se integram.

As predisposições afetivas para novas aprendizagens condicionam a sua consecução, nomeadamente no que se refere a fatores motivacionais de expectativas de sucesso ou insucesso na tarefa proposta, percepção positiva ou negativa.

De igual modo, a natureza e o ritmo dos mecanismos de “feedback” e reforço da aprendizagem efetuada constituem elementos afetivos importantes na aprendizagem escolar. Daí, em termos de objetivos do Ensino Fundamental II, é importante referir a relevância crescente de objetivos afetivos e “atitudinais” sobre os objetivos cognitivos, não só enquanto condicionantes do processo de aprendizagem como também atendendo ao contexto de um mundo desumanizado de alta tecnologia dificilmente controlável.

No nosso entender, o processo de aprendizagem é o movimento global que visa estimular a expressão de conhecimentos, atitudes, valores e habilidades, numa continuidade progressiva.

O ser humano não pode ser avaliado pelo número de habilidades e atitudes que possui. O seu valor consiste na verdade toda, que é, que pode, pretende e que virá a ser.
Oportunizar a aceitação de si com os valores, estimulando o desenvolvimento de outros, considerados importantes, como vencer na vida, saber se defender, ser independente, tornar-se capaz de fazer, traçar o seu próprio caminho, desenvolver habilidades, são meandros que podem levar a um desenvolvimento significativo, através do processo de ensino-aprendizagem.

Devemos, sempre que possível, solicitar o aluno, chamando-o à iniciativa pessoal, à autocrítica, à autodeterminação, permitindo e criando, propositalmente, condições para desenvolver a autonomia, durante sua vida. Portanto, não é só falando com “ele”, mas fazendo-o conviver e vivenciar esta experiência. O desenvolvimento de habilidades é um motivo intrínseco que encontra na prática tanto a fonte como a recompensa.

A aprendizagem é basicamente uma modificação que ocorre por motivos intrínsecos naturais e pela fé, a crença nestas capacidades, e mesmo o respeito pelas habilidades de todas as áreas do desenvolvimento humano, elementos básicos que substituem os esforços externos de outras teorias.

Compete a nós, educadores, através dos recursos que dispomos, desenvolver a capacidade de expressão do jovem.
É importante motivar aulas, assumir atitudes e comportamentos conscientes, ministrar conteúdos com dose de segurança, para que o aluno obtenha uma aprendizagem eficiente.

A aprendizagem é principalmente uma resposta de natureza interna e não uma conseqüência de fatos meramente externos.
Embora a vontade de aprender seja um motivo intrínseco, ela precisa ser estimulada através de incentivos pedagógicos que sempre devem ser coerentes com os fins da educação e do ser humano.

Desta caminhada solidária – pelo sentir, pensar, planejar e agir em conjunto, em torno de objetivos comuns – surgirão, certamente, as alternativas de que precisamos, e que poderão nos auxiliar a descobrir as possibilidades que estão além dos limites do horizonte que fixamos ativamente e almejamos ultrapassar, descobertas estas responsáveis pelo nascimento de uma nova aurora para o educador e, conseqüentemente, para a educação.

* Bruna Renata Cantele
mestra em Educação, pedagoga, historiadora e escritora
E-mail: bcantele@bol.com.br
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